Vivemos num tempo em que quase tudo acontece depressa demais. As mensagens chegam antes de sentirmos saudades, as respostas são exigidas antes mesmo de entendermos as perguntas e o dia termina sem que tenhamos percebido quando, de facto, começámos a vivê-lo. Nesta correria constante, corremos o risco de transformar a vida numa sucessão de tarefas cumpridas, mas pouco sentidas.
A pressa do mundo ensina-nos a produzir, competir e acumular, mas raramente nos ensina a parar. Parar para escutar, para refletir, para reconhecer limites. O silêncio, hoje, parece desconfortável, quase uma ameaça. No entanto, é nele que a alma encontra espaço para respirar. É no silêncio que percebemos o que nos pesa, o que nos falta e o que realmente importa.
Quantas vezes seguimos em frente apenas por hábito, medo ou expectativa dos outros? Quantas decisões tomamos para não decepcionar, para não atrasar, para não ficar para trás? A reflexão diária convida-nos a um exercício simples, mas profundo: perguntar a nós mesmos se o caminho que percorremos ainda faz sentido. Não para mudar tudo de uma vez, mas para alinhar o passo com o coração.
A vida não exige pressa constante, exige presença. Estar presente no agora, nas pequenas alegrias, nas dificuldades que ensinam, nas pessoas que caminham connosco. Quando aprendemos a desacelerar, percebemos que não perdemos tempo — ganhamos consciência. E com consciência, escolhemos melhor, amamos melhor e vivemos com mais verdade.
Que a reflexão de hoje nos lembre que não somos máquinas programadas para produzir sem parar, mas seres humanos chamados a sentir, aprender e crescer. Que encontremos, mesmo em meio ao ruído do mundo, um espaço de silêncio interior onde possamos reencontrar sentido, esperança e direção.
Rui Costa
